A beleza da deficiência

Ela existe para àqueles que a conseguem enxergar

Na última sexta-feira, dia 02, pude presenciar as duas mais belas e emocionantes coreografias que já vi. A primeira, com um casal de cadeiras de rodas, membros da APAE de Gurupi, e a segunda com a artista plástica Adriana Pareja, que tem os músculos atrofiados por falta de oxigênio no cérebro.

As apresentações aconteceram no Ginásio de Esportes de Gurupi, durante o Festival de Cultura Corporal. O evento já é uma tradição do Curso de Educação Física do Centro Universitário UnirG, mas foi a primeira vez pude comparecer.

A dança por si só já é bela, mas quando vem carregada de superação de limites humanos ela se torna surpreendente! Ver um casal de cadeirantes dançando de forma romântica e harmoniosa foi uma experiência que deixou o público atônico, acompanhando atentamente cada passo, o que resultou numa grande salva de palmas no final a apresentação.

Logo após veio outro casal coreografando uma das músicas românticas mais famosas, “From This Moment on", da cantora Shania Twain. Certamente todos já haviam assistido alguma apresentação de dança com essa canção, mas talvez nunca de forma tão tocante. Foi simplesmente encantadora a magia que a Adriana transmitia com seus movimentos limitados. Os passos profissionais do seu parceiro - um jovem sem deficiência - ficaram ofuscados pela beleza dos giros de Adriana.

Assistir essas duas apresentações emocionou até mesmo os menos sensíveis, como eu, com uma visão limitada do que é o belo. Ele não está presente nos padrões que costumamos estabelecer ou que a sociedade nos impõe. Podemos encontrá-lo nas mais diversas e inesperadas formas. Aprendi que o belo não tem definições, ele simplesmente existe para àqueles que o conseguem enxergar.

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Por Rodrigo Martins